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Texto
cordialmente cedido por www.nabalada.com.br
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Ricardo Menezes a
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---Música de bolso: dos patins dos anos 80 aos celulares de hoje | |
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Tóquio, final da década de 70, mais precisamente, 1979. O Japão se estabelecia como império eletrônico pós-guerra. Nesse cenário de reconstrução nacional, as empresas de tecnologia japonesas mantinham seus negócios indo de vento em popa. Marcas como Sony, Toshiba, National, Sharp, entre outras, expandiam seus negócios na velocidade da luz. |
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O transistor, apesar de ter sido inventado em um laboratório americano, foi rapidamente incorporado à sociedade japonesa, adquirindo uma importância grande no cenário da época. Começava a era do solid-state. A novidade era tão importante que chegava ao ponto em que de fabricantes colocavam dizeres do tipo "3 transistors inside" ou "all transisitor" impressos nos aparelhos, da mesma forma em que vemos 32 bits, Bluetooth ou Digitalem alguns aparelhos de hoje. Transistores eram o que havia de mais moderno na época. Ter um aparelho transistorizado era "simplesmente um luxo". Fitas cassete (ou "K7", como ficaram conhecidas por aqui) já existiam ha algum tempo, porém, parece que a visão privilegiada de um homem chamado Akio Morita vislumbrou a possibilidade de criar algo que transformaria radicalmente o estilo de vida dos jovens, marcando para sempre a história da música e portabilidade. Juntamente com Kozo Ohsone e Masaru Ibuka, o Sr. Morita imaginou que um reprodutor portátil de fita K7 ligado a um par de fones estéreo poderia ser um sucesso no crescente mercado de aparelhos de som da época. Alguns dentro da empresa achavam que um aparelho que não gravasse não seria bem aceito, mas Morita tinha a certeza de que a simples possibilidade de ouvir música carregada no bolso ou presa na cintura faria a cabeça de consumidores do mundo todo, principalmente, dos jovens. Alguns dizem que essa visão privilegiada do Sr. Morita parece ter visto a idéia de um alemão chamado Andreas Pavel, que supostamente teria inventado um aparelho muito parecido com o lançado pela Sony. Essa história foi parar na justiça, que recentemente, depois de vinte anos, julgou o caso a favor de Pavel, tornando-o milionário da noite pro dia. De volta à califórnia dos anos 80, skatistas detonavam aéreos e inverts com seus skates Variflex, ao som de bandas como The Cars ecoando através dos P.A.s das skateparks locais. Além do skateboard, os patins também viviam os seus dias de ouro. O surgimento do primeiro Walkman completou de vez esse cenário como uma peça que faltava. Hoje, esses aparelhos seriam conhecidos como Walky se não fosse a Toshiba, que já estava utilizando o nome em uma de suas linhas de aparelhos de som. Por causa dessa impossibilidade a Sony resolveu batizar sua invenção de Walkman e fez a cabeça de jovens e amantes de música em todo o mundo. Rapidamente, outros gigantes da indústria eletrônica japonesa seguiram os passos da Sony e lançaram suas linhas de aparelhos de música portátil. A pressão de tantos concorrentes e enorme diversidade de produtos era tão grande que a própria Sony foi obrigada a ficar em constante processo de aprimoramento, reduzindo cada vez mais o tamanho do Walkman. Na metade da década de 80, outro lançamento da Sony parecia ameaçar o futuro das fitas K7 de bolso. Era o Discman. Até então, não exisitia nenhum aparelho de bolso capaz de tocar musica digital de alta qualidade. Isso também ia de encontro ao limite tecnológico atingido pelos sistemas de fita K7. Quem se lembra das fitas de metal e cromo que prometiam uma qualidade superior na gravação? Até que era verdade, mas nada comprado à pureza estéril do som dos compact discs. Um pouco mais tarde, outra invenção japonesa fez muito sucesso no mercado de música portátil, eram os MiniDiscs. Os MDs, como ficaram conhecidos, gravavam através de tecnologia ótica e reproduziam por leitura magnética. O áudio era armazenado em forma digital nos disquinhos, através de um formato chamado ATRAC. O ATRAC é um codec de compressão digital que remove a informação irrelevante da música, geralmente localizada nas freqüências mais altas e mais baixas do áudio "encodado" ou presente no silêncio ou ausência de determinadas freqüências em partes da música. Isso não afeta muito a percepção do ouvinte com head-phones convencionais, pois as freqüências muito altas não podem ser ouvidas com facilidade por nossos ouvidos, enquanto as mais baixas (graves), podem ser facilmente "envenenadas" por sistemas do tipo "Mega Bass", presentes na maioria dos MDs (se ligou?). O ATRAC pode ser considerado como um irmão do MP3, também desenvolvido pelo laboratório Fraunhofer. Apesar de terem sido muito populares no Japão e chegado tardiamente por aqui, os MDs tiveram um vida muito curta devido ao surgimento dos primeiros MP3 players. Quando os primeiros Samsung "Yepps", "Creative Nomads" e "iRivers" chegaram ao mercado, o preço dos minidiscs já estava muito baixo, mesmo assim, uma tecnologia baseada em discos giratórios acomodados em caixinhas plásticas parecia muito rudimentar frente ao novo cenário de música totalmente solid-state gravada em arquivos digitais que podiam ser baixados da internet. O surgimento do Napster, e mais tarde do iTunes sepultou de vez o mercado de MiniDiscs, que hoje são vistos como gadgets cult. Do final dos anos 90 pra cá, já era possível ver muitas pessoas carregando o celular num bolso e o MP3 player no outro. O boom dos iPods e a necessidade de comunicação móvel sem fio obrigava aqueles mais "sofisticados" a carregar dois aparelhos na mochila ou no bolso. Logo depois, veio a onda de Palms e Pocket PCs e quem, até então, carregava dois aparelhos, passou a carregar três. Haja bolso e saco para carregar tanto aparelho! Se uma fonte carregadora já é um saco, três são um saco ao cubo. O iPod, da apple, alcançou um status e adquiriu uma notoriedade parecida com a que a Sony conseguiu com o Walkman no começo dos anos 80. Só por curiosidade, para aqueles que não sabem, a Apple no inicio de sua existência não podia por contrato incorporar nenhum tipo de tecnologia (chip) musical em seus computadores devido a uma briga judicial com a gravadora dos Beatles, também chamada Apple. Essa restrição fez com que os primeiros Macintoshes fossem lançados mudinhos da silva. Com o ipod, pela segunda vez em sua historia, Apple estava no lugar certo, na hora certa e com o produto certo. Hoje em dia, tanto o celular, como o "iPod", ocupam um lugar importante na vida da maioria das pessoas com um certo poder aquisitivo. É muito difícil achar alguém que não tenha ou não precise de um celula, e é cada vez mais difícil achar alguém que também não queira ter um player portátil de música. Como a apple não tem nada de boba, mais uma vez ela resolve dar as suas cartadas de quem está sempre na crista da onda e anunciou o lançamento do iPod phone (vulgo Motorola Rokr). Como a apple não entende de tecnologia para celulares, a escolhida para co-desenvolver esse produto foi a também norte americana Motorola. Dessa forma, a Apple entra com todo seu glamour e aceitação mundial e a motorola entra com a materialização disso em formato de um produto que já é um sucesso antes mesmo de seu lançamento. Você deve estar se perguntando: por que Motorola e não Nokia? Bom, na minha opinião, primeiro porque a Motorola é americana e a Nokia não; segundo, porque a Nokia já estava investindo em conteúdo multimídia ha algum tempo, só que em outros "quintais" (Real Player, Macromedia Flash, Windows Media e por aí vai). Da mesma forma que a Apple não quer ver seus usuários de iPod ouvindo arquivos em formato da rival Microsoft (WMA), ela provavelmente não deve achar interessante dividir mercado com empresas como a Real afinal, um acordo para incorporar um desses codecs ao hardware do iPod pode render milhões à Apple, mas isso não pára por aí. Real e Microsoft também já estão mexendo seus pauzinhos em parceria com outros fabricantes de celulares, principalmente com aqueles que fabricam smartphones e pocket pcs. [ João Abramo do Nabalada comenta: A escolha da Apple também se deve ao fato da Motorola ter sido a principal fornecedora de tecnologia da Apple desde seus primordios. Com a recente troca dos chips Motorola pelos Intel, essa escolha também pode ter servido para não deixar a Motorola totalmente na mão. Segundo Abramo, a Motorola já morreu, mas esqueceu de preparar o funeral ] Um fato que comprova a minha teoria de que hard disks ou qualquer outra tecnologia com um pé na mecânica tem seus dias de contados é a notícia de que o Rokr virá com cartão de memória flash no lugar dos atuais HDs utilizados nos iPods convencionais. Quem precisa carregar no bolso mil músicas ou mais? Só consigo imaginar um náufrago numa ilha deserta que tenha tempo de sobra para ouvir todas as músicas de um iPod. A utilização de cartões de memória nesses aparelhos parece fazer muito mais sentido para mim, já que isso deve permitir o desenvolvimento de aparelhos de menor espessura, mais econômicos e mais resistentes a quedas. A Sony pode estar menos em evidência que nos anos 80, mas também não é boba. Há algum tempo, o fabricante japonês fez uma parceria muito semelhante a essa que a Apple esta fazendo com a Motorola e criou, juntamente com um notório fabricante de celulares sueco, a Sony Ericsson, que por sinal, tem aparelhos muito legais e charmosos. Se a apple conta com o peso da marca iPod, o Sony também tem uma marca lendária e muito forte para a maioria das pessoas com mais de 30 anos. Como a Sony não quer perder o bonde, acaba de lançar a reencarnarão do walkman do século 21: o novo Sony Ericsson W800i Walkman. Com esse aparelho, a Sony parece desenterrar um mito dos anos 80 e volta a se posicionar, de forma muito atual, ao novo cenário de música portátil. Olhando por outro ângulo, a Sony, na verdade, nunca esteve ausente desse mercado, afinal, foi ela que inventou o Walkman, depois o Compact Disc Player, o MD e agora, volta ao mercado novamente, com o W800i Walkman. O W800i é um celular GSM tri-banda (900/1800/1900 MHz), com 512 megabytes de memória (MemoryStick Duo, of course), porta USB 1.1 para sincronismo com o PC e transferência de arquivos ou músicas, que podem ser em formato MP3 ou ATRAC. A qualidade dos fones é impressionante. Para poder competir com os charmosos fones iPodianos, a Sony resolveu caprichar e desenvolveu fones intra-auriculares que proporcionam o mais absoluto isolamento acústico. A princípio, o fone parece ser pequeno e fraco nos graves, mas ao inserir o fone da forma correta (até o fundo do ouvido), é possível sentir a forte presença dos graves que esse fone tem. No primeiro uso, a forma como o fone deve ser inserido pode assustar, mas é a única maneira de conseguir graves de verdade e ter total isolamento de sons ao redor. O W800i não foi projetado para baixar músicas diretamente da internet, como já acontece com alguns aparelhos do mercado de alta velocidade (3G) do Japão, vide o exemplo do fenômeno chamado Chako-Uta Full, que é de propriedade da Sony Music Japan e permite que assinantes de 3G da KDDI façam download de músicas interias pelo aparelho celular, sem precisar de nenhum tipo de conexão com o desktop. Pelo fato do W800i não ter compatibilidade com redes 3G, o download de músicas da internet fica praticamente inviável por causa do alto custo da transferência de dados através de GPRS e da total ausência de planos "flat-fee" por parte das operadoras nacionais, no entanto, não há a menor dúvida de que os futuros lançamentos (compatíveis com EDGE, UMTS, EVDO) deverão vir com essa facilidade incorporada, o que permitirá que o usuário compre músicas on-line, sem necessariamente estar conectado a um computador desktop. Há rumores de que o popular software de downloads Kazaa estaria preparando uma versão de seu software para aparelhos com Windows Mobile e Pocket PC... A marca Walkman pode não ter o mesmo status que tinha há 20 anos, principalmente se colocada frente a frente com a Apple, mas o W800 pode ser visto como a largada dessa nova era de música digital em celulares. Agora, a Apple está em pequena desvantagem e precisa rapidamente adaptar o sucesso que é o iPod a essa nova necessidade e mercado que deve crescer com a mesma velocidade que os iPods chegaram ao gosto das pessoas. Daqui a 1 ou 2 anos, iPods convencionais (sem comunicação móvel) poderão ser os MiniDiscs de hoje, guardados em gavetas do mundo inteiro. Para finalizar, o assunto não deve parar por aí, estamos apenas entrando na era do conteúdo móvel. Obviamente, os primeiros passos estão sendo dados no terreno musical, começando pelos, já banalizados, ringtones. Na China, e-books para celulares são amplamente lidos e transferidos através das redes móveis. Já no Japão, as pessoas gostam de assistir a vídeos dentro dos trens ou então, fazem vídeo-conferências através de seus sofisticados aparelhos compatíveis com FOMA (UMTS local). Não há dúvidas de que o celular será o maior armazenador de conteúdo pessoal daqui pra frente. Enquanto os vídeos pornôs não chegam por aqui, vamos curtindo um bom e velho U2 no Rokr ou no W800i.
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